Kodak. Os filmes de película ainda não morreram e alguma Física no meio disso.

kodak

Hoje vi uma notícia que me deixou feliz : o acordo que a Kodak fez com grandes produtoras para continuar produzindo películas de cinema. Kodak, uma empresa americana que já fez parte da vida de tantos fotógrafos, declarou falência em 2012. Felizmente, em 2013, a Kodak conseguiu acordos com bancos americanos que lhe deram fôlego para continuar no mercado graças à um investimento de 895 milhões de doláres. Desde então a Kodak está em processo de restruturação ; longe dos momentos de glória da década de 90, quando era líder no mercado de câmeras fotográficas. Com a tecnologia digital, a procura pelas películas -sua principal fonte de renda- caiu bruscamente. A Kodak cometeu um grave erro de gestão em não seguir o mercado e fabricar produtos digitais, chegando tarde e investindo pouco nesse segmento. Nenhum fotógrafo profissional usa mais uma Kodak como câmera principal e a massiva maioria aderiu ao formato digital; É mais conveniente, prático e econômico. Apesar disso, há realizadores que preferem o toque clássico e meio que charmoso em registrar com películas. Entre os nomeados do Oscar desse ano há seis filmes rodados desta forma: Boyhood – Momentos de Uma Vida, The Grand Budapest Hotel, O Jogo da Imitação, Interstellar, Foxcatcher e Caminhos da Floresta. Filmes como o novo Star Wars, ou o Missão Impossível 5, ambos sendo filmados em película, talvez influenciem o interesse de Hollywood na película e ajudem a Kodak -que está mais voltada em tablets e celulares-, se reerguer.

De fato, há um lobby em Hollywood por parte de diretores para que a película não morra. Produtoras como Disney e Warner Bros entraram em acordo com a Kodak, garantindo que irão comprar suas películas.

A menos dos realizadores com um pé na década de 70, não há muitos bons motivos para filmar em película hoje. Principalmente quando a questão é o dinheiro. O custo de impressão e distribuição de um filme em película é cerca de 1500 euros, enquanto que no formato digital, esse valor cai para cerca de 100 euros. A Kodak está praticamente sozinha no mercado de películas para filmes, depois da saída da Fujifilm.

Como é formada a imagem numa película fotográfica?

Expliquei um pouco sobre a natureza da luz no post “O efeito fotoelétrico pode ocorrer em nossa pele?”, você pode lê-lo clicando aqui. Também expliquei sobre o espectro eletromagnético aqui. Esses dois posts vão servir como “pré-requisito”, para uma melhor compreensão do que irei discorrer.

A luz visível aos nossos olhos é uma pequena parte do espectro eletromagnético, na faixa do comprimento de onda de 400 nm até 700 nm, conforme figura abaixo :

espectro eletromagnético

Cada comprimento de onda do fóton, tem associado uma energia. Quanto maior o comprimento de onda, menor será a energia do fóton. Os fótons da luz visível podem ser entendidos como pacotes de energia com frequências que variam do vermelho até o azul. Esses pacotes de energia ao colidir com o filme fotográfico, no interior da câmera, provocam reações químicas na película. O processo em que a energia eletromagnética causa mudanças químicas na matéria, é conhecido como fotoquímica. Há materiais quimicamente instáveis quando expostos à luz. É o caso das películas fotográficas.

A esquematização do processo é complexa, cristais microscópicos separam as cores da luz branca e há um encadeamento de reações químicas em finíssimas camadas de filmes sensíveis às frequências de cores. Em outras palavras, sem a incidência de luz, nada ocorre no filme fotográfico. Para evitar que o filme seja exposto à luz continuamente, há uma barreira na câmera que impede a passagem da luz, chamada de obturador.

Obturador

Para a produção de um vídeo, o obturador deve “fechar e abrir” periodicamente, possibilitando que a luz chegue até a película e que fotografias (a palavra fotografia literalmente quer dizer “escritura de luz”), sejam registradas pelo filme nesse processo. O padrão do cinema é que a cada segundo sejam tiradas 24 fotografias. Na televisão, o padrão é de 60 fotos/segundo. É de ajuda frisar que 24 fps não significa que o obturador da câmera abriu e fechou 24 vezes. A velocidade do obturador é expressa pela fórmula abaixo:

velocidade do obturador equação

Onde,

F= taxa de quadros por segundo
S = ângulo do obturador
E = velocidade do obturador

 Por exemplo, para F= 24, S=180°, teremos E = 48 ou 1/48 segundos. Ou seja, o filme será exposto à luz em 1/48 segundos com 24 fps num ângulo de obturador de 180°. “S” e “E” devem ser casados nas configurações da câmera, de modo que a imagem tenha a quantidade compatível de motion blur com os nossos olhos. Motion blur é a perda da nitidez ou o “efeito ghost” em imagens em movimento. O ângulo do obturador, “S”,  indica o “corte aberto do círculo” que irá rodar permitindo a passagem de luz até o filme. Para 180°, é um círculo com metade “aberta” e a outra metade “fechada”. A sequência das fotos formam o vídeo. A clássica câmera Super 8 filma assim.

No vídeo abaixo a relação entre F, S, E na mudança de motion blur fica mais clara :

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Sobre Douglas Aleodin

Mestrando em Física pela Universidade Federal da Bahia.
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