A incompatibilidade da física de filmes no Espaço

Gravity

Ao passar dos anos, os filmes de ficção científica contam com efeitos especiais cada vez mais elaborados, principalmente os de naves viajando entre galáxias, astronautas percorrendo satélites, ou até mesmo pessoas com super-poderes no Espaço. Ao abordar essas temas curiosos na telona, algo essencial parece muitas vezes ser esquecido : a Física. Mesmo em produções caríssimas, que tentam ser fiéis ao nosso mundo físico, percebe-se que certas leis da Física são visivelmente quebradas e que toda cena trata-se de um mundo de “mentirinha”, sem preocupação em seguir o que ocorreria caso tivesse acontecido no “mundo real”.

Os erros

Os erros mais clássicos, como a propagação do som no espaço, devem ser propositais. Ao menos é o que penso. Já pensou assistir Star Wars no cinema sem som no espaço sideral? Não seria empolgante, e os produtores sabem disso. É nas cenas no Espaço que pode-se usar o sistema de áudio da maneira mais surpreendente, com explosões, barulhos de naves e tiros. Não é apenas Star Wars que ignora a Física com essa intenção “artística”. A propagação do som no Espaço, também é encontrada em filmes badalados como :

  • Contato (de Robert Zemeckis)
  • Cowboys do Espaço
  • Armageddon (de Roland Emmerich)
  •  Sunshine (de Danny Boyle)
  • Jornada nas Estrelas (todos)

E a lista certamente não acaba. Os filmes que citei são relativamente novos e não é mais justificável a falta de conhecimento para ignorar que uma onda mecânica não propaga-se sem um meio material. E essa é uma das bizarrices mais comuns que se encontra por aí. Mas há muitas outras, deixe-me citá-las com o que deveríamos esperar caso fossem compatíveis com a Física do Espaço:

  • O som não propaga-se no vácuo
  • Não há “fogo” no Espaço, a menos que se tenha oxigênio
  • Não é possível para um ser humano desviar de lasers ou armas que viajam na velocidade da luz.
  • Não é possível viajar mais rápido do que a velocidade da luz, pela Teoria da Relatividade
  • Os objetos não movem-se lentamente num local de zero gravidade
  • Corpos não esfriam instantaneamente quando estão no Espaço
  • Na gravidade zero, lágrimas não “caem” ou saem “voando” por aí, confira :

Parte desses erros, você pode encontrar nos filmes Gravidade, 2001 :  Odisseia no Espaço, Stargate, etc.

Em alguns casos, a incompatibilidade dos filmes, com nosso mundo físico, é tão tênue, que os “erros da Física” são imperceptíveis e não estragam a experiência, além de fazerem parte da liberdade criativa. Entretanto, para um físico, até com a melhor das intenções, esses detalhes podem frustar a experiência visual e narrativa. E para o público em geral um filme bem sucedido artisticamente não é aquele que mais se aproxima da realidade? Ás vezes sim, e esmagadoramente das vezes não. Mas uma coisa é certa : temos que pelo menos acreditar no filme para que ele seja bom não é mesmo? Essa é a grande diferença de filmes bem produzidos e roteirizados, com câmeras caras e atores expressivos em relação à filmes amadores filmados com câmera tekpix e histórias para boi dormir. E acho que o mesmo vale para a o cuidado com a física na telona, caso o filme queira ser sério.

Espero que com o aumento da tecnologia dos efeitos especiais, e o interesse das pessoas por Física, possa surgir um novo cargo na produção de filmes : Consultor de Física. Seria muito interessante filmes que abordassem a Física, principalmente a Física Teórica e suas possibilidades, de modo coerente com o que sabemos hoje. É bem possível realizar filmes que não quebrem a Física, e que estejam situados no Espaço, como o Apollo 13, do diretor Ron Howard.

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Eu já estou cheio de promessas com o blog. Mais uma delas : analisar a física dos filmes.

Obs : Ainda não assisti Interestelar.

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Sobre Douglas Aleodin

Mestrando em Física pela Universidade Federal da Bahia.
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2 respostas para A incompatibilidade da física de filmes no Espaço

  1. Luiza Paes disse:

    Parabéns, Doug! Que bom ver seu sucesso! 🙂

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