Equação da música boa, do hit. Agora é que os sentidos e a arte são descritos pela matemática?

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Hoje vi uma notícia que me deixou a princípio curioso e um pouco triste. Cientistas da Universidade de Bristol, da Inglaterra, relataram possuir uma equação matemática que pode prever o tipo de música que irá ser a sensação do momento. Particulamente pensava ser impossível que a matemática ou qualquer ciência exata, fosse capaz de descrever sensações como o belo ou feio, bom ou ruim (tendo em mente que isso seria o fator determinante para a música ser aceita popularmente). Essa indagação pessoal é compartilhada também pelo caro colega Erwin Schrodinger, onde o próprio, diz :

“A imagem científica do mundo que me rodeia é muito deficiente. Dá-me muita informação factual, fornece à nossa experiência uma ordem magnificamente consistente, mas, coisa terrível, nada diz acerca do que de fato nos interessa. Não diz uma palavra sobre a sensação do azul ou do vermelho, do amargo e do doce, sobre os ensinamentos da alegria e da tristeza. Nada conhece do belo e do feio, do bom e do mau, de Deus e da eternidade.”

Olho para tal estudo britânico com certo desprezo e desconfiança. É uma das comprovações que o método científico vem se tornando cada vez mais fútil e confuso. A revolução científica, propulsionada pela descoberta da Mecânica à partir do Sir Isaac Newton, tratava de problemas com extrema cautela e cuidado. Mesmo que as deduções e afirmações fossem erradas na Antiguidade, puxa, como eram concisas! Até na época de Aristóteles e cia, as ideias do céu composto por esferas celestes giratórias e de um ser vivo  originado pela matéria bruta soam mais coerentes cientificamente (exageros à parte…). Porém, em pleno século XXI, com a descoberta experimental de coisas tremendas, tal qual as partículas elementares e a relatividade, ainda há estudos soltos e sem fundamento.

Acesse o site criado pelos pesquisadores e veja por si próprio em “The Hit Equation” clicando aqui

Basicamente eles fizeram uma estatística de vários períodos de tempo ( década de 70, 80) para avaliar as músicas que foram sucesso e suas propriedades acústicas como a batida, altura, nível de som, dentre outras. Atribuiram pesos nessas características que utiliza a matemática da média ponderada.

Por exemplo, seleciono uma música com batida forte e ela terá um fator f que qualifica isso (a batida) com determinado valor. Digo que tal propriedade é fundamental para ser hit, coloco peso w = 30% e efetuo o produto wf . Faço o mesmo processo para outras características sonoras descritas quantitativamente e qualitativamente pela minha análise de época, e ao somar todas, o score é gerado.

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Segundo notícia vinculada no Uol, o hit “Ai se Eu te Pego”, do cantor sertanejo Michel Teló, obteve nota 2, score pequeníssimo na tabela deles. Mas está fazendo o maior sucesso, concordam?

Saiba de outras falácias científicas, como a do eixo de inclinação da terra causada pelo terremoto do Japão ano passado aqui .

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Sobre Douglas Aleodin

Mestrando em Física pela Universidade Federal da Bahia.
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Uma resposta para Equação da música boa, do hit. Agora é que os sentidos e a arte são descritos pela matemática?

  1. Lili Duarte disse:

    Quem sabe somente a qualidade do “gosto”tenha mudado. Temos “gosto”menos refinado.

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