Alguns colegas de profissão sobre Deus

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Para os crentes, Deus está no princípio das coisas. Para os cientistas, no final de toda reflexão – Max Planck

“A imagem científica do mundo que me rodeia é muito deficiente. Dá-me muita informação factual, fornece à nossa experiência uma ordem magnificamente consistente, mas, coisa terrível, nada diz acerca do que de fato nos interessa. Não diz uma palavra sobre a sensação do azul ou do vermelho, do amargo e do doce, sobre os ensinamentos da alegria e da tristeza. Nada conhece do belo e do feio, do bom e do mau, de Deus e da eternidade. A ciência por vezes finge responder a questões nesses domínios, mas as respostas são frequentemente tão tontas que não as podemos levar a sério. A ciência também hesita perante a questão da grande Unidade da qual somos de algum modo parte, à qual pertencemos. No tempo em que vivemos, o nome mais popular para ela é Deus, escrito com um ” D” maiúsculo. A ciência é, muitas vezes, estigmatizada como ateia. Não é de espantar, depois do que dissemos. Se a sua imagem do mundo nem sequer contém beleza, alegria, tristeza, como pode ela conter a ideia mais sublime que se oferece à mente humana?” Erwin Schrondiger

“O principal objetivo de todas as investigações do mundo exterior deve ser descobrir a ordem racional e harmonia que tem sido imposta por Deus e que ele nos revelou na linguagem da matemática.” – Johannes Kepler

“No decorrer da minha vida vi-me repetidamente compelido a ponderar sobre a relação entre estas duas regiões do pensamento (ciência e religião), pois nunca fui capaz de duvidar da realidade daquilo para que elas apontam” – Werner Heisenberg

“Deus é um matemático de nível muito elevado que usou a matemática avançada para construir o universo” – Paul Dirac

“A ciência humana de maneira nenhuma nega a existência de Deus. Quando considero quantas e quão maravilhosas coisas o homem compreende, pesquisa e consegue realizar, então reconheço claramente que o espírito humano é obra de Deus, e a mais notável.” – Galileu Galilei

Transcrição das últimas páginas da obra-prima Opticks, de Isaac Newton :

“Considerada todas essas coisas parece-me provável que no príncipio Deus formou a matéria em partículas sólidas, maciças, duras, impenetráveis, móveis, de tais tamanhos e formas, e com tais outras propriedades, e em tal proporção em relação ao espaço, como as que conduziriam mais ao fim para o qual Ele as formou : e que essas partículas primitivas, sendo sólidas, são incomparavelmente mais duras do que quaisquer corpos porosos que delas se componham e mesmo tão duras a ponto de nunca se consumir ou partir-se em pedaços, pois nenhum poder ordinário é capaz de dividir o que o próprio Deus fez uno na primeira criação.”

Newton após esse texto discute a qualidade de alguns elementos e volta a falar sobre Deus:

“Ora, graças a esses princípios todas as coisas materiais parecem ter sido compostas das partículas duras e sólidas acima mencionadas, variadamente associadas na primeira criação pelo desígnio de um agente inteligente. Pois convinha a Ele, que as criou, ordená-las. E se Ele o fez, não é filosófico procurar qualquer outra origem do mundo, ou pretender que ele pudesse originar-se de um caos pelas meras leis da natureza; embora, uma vez formado, ele possa continuar por essas leis ao longo de muitas eras. Pois enquanto os cometas se movem em órbitas muito excêntricas em todos os modos e posições, um destino cego nunca poderia fazer com que todos os planetas se movessem de uma mesma maneira em órbitas concêntricas, executadas algumas irregularidades insignificantes que podem ter resultado das ações mútuas dos cometas e planetas uns sobre os outros e que estarão aptas a aumentar até que o sistema necessite de uma reforma. Essa uniformidade maravilhosa no sistema planetário deve ser concedida ao efeito de escolha. E assim deve a uniformidade nos corpos dos animais, tendo eles geralmente um lado direito e um lado esquerdo formados de modo semelhante, e em ambos os lados de seus corpos, duas pernas atrás, e ou dois braços, ou duas pernas, ou duas asas diante dos ombros, e entre os ombros um pescoço estendendo-se numa espinha dorsal, e uma cabeça em cima dele, e na cabeça duas orelhas, dois olhos, um nariz, uma boca e uma língua, situados de maneira semelhante. Também a primeira invenção dessas partes muito aritificiais dos animais, os olhos, os ouvidos, o cérebro, os músculos, o coração, os pulmões, o diafragma, as glândulas, a laringe, as mãos, as asas, as bexigas natatórias, os óculos naturais e outros orgãos do sentidos e do movimento: e o instinto das bestas e insetos não podem ser senão o efeito da sabedoria e habilidade de um agente poderoso, sempre vivo, que, estando em todos os lugares, é mais capaz por Sua vontade de mover os corpos dentro de Seu sensório ilimitado, uniforme e assim formar e reformar as partes do Universo, do que nós somos capazes por nossa vontade de mover as partes de nossos próprios corpos. E todavia, não devemos considerar o mundo como corpo de Deus, ou as várias partes dele como as partes de Deus. Ele é um Ser uniforme, destituído de órgãos, membros ou partes, e elas são suas criaturas, subordinadas a Ele e subservientes à Sua vontade; e Ele não é mais a alma delas do que a alma do homem é a alma das espécies das coisas levadas através dos órgãos dos sentidos ao lugar de sua sensação, onde ela as percebe por meio de sua presença imediata, sem a intervenção de uma terceira coisa qualquer. Os órgãos do sentido não se destinam a capacitar a alma a perceber as espécies das coisas em seu sensório, mas apenas a conduzi-las até lá; e Deus não tem necessidade de tais órgãos, pois está presente às próprias coisas em todo lugar. E visto que o espaço é divisível em in infinitum, e a matéria não está necessariamente em todos os lugares, pode-se admitir também que Deus é capaz de criar partículas de matéria de vários tamanhos e formas e em várias proporções com relação ao espaço, e talvez de densidade e forças diferentes, variando assim as leis da natureza e fazendo mundos de vários tipos nas várias partes do Universo. Pelo menos, não vejo nada de contraditório em tudo isso.”

Depois Newton tece comentários de como se faz uma teoria, e encerra seu livro com essas palavras :

“Pois até onde podemos saber pela filosofia natural, o que é a Causa Primeira, que poder Ele tem sobre nós e que benefícios recebemos dEle, ficará evidente para nós, pela luz da natureza, até onde vai nosso dever para com Ele e o nosso dever uns para com os outros. E sem dúvida, se o culto aos falsos deuses não tivesse cegado os pagão, sua filosofia moral teria ultrapassado as quatros virtudes cardeais, e em vez de ensinarem a transmigração das almas e o culto ao Sol, à Lua e aos heróis mortos, eles nos teriam ensinado a adorar nosso verdadeiro Autor e Benfeitor, como fizeram seus ancestrais sob o governo de Noé e de seus filhos antes que eles se corrompessem.”


O autor ainda vive, mas o blog ficará morto até pelo menos final do ano.

Peço desculpas aos e-mails e comentários não respondidos.

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Sobre Douglas Aleodin

Mestrando em Física pela Universidade Federal da Bahia.
Esse post foi publicado em Física, Física do dia-a-dia e marcado , , , , , , , , , , . Guardar link permanente.

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