Física do 3D ao 11D

O 3D é a nova sensação da indústria cinematográfica.

O boom do 3D chegou pra ficar. Antes de Avatar, os filmes em três dimensões eram tão escassos no cinema que muitas pessoas ficavam impressionadas quando ouviam algo relacionado com “imagens” que saltavam da tela (acreditem ou não, o primeiro filme em 3D é datado de 1922!) . Parecia algo high-tech, de última geração tecnológica – em príncipio, nunca foi, não é, e nunca será.

Começando pelo nome

Nosso Universo vísivel, contém três dimensões. Matematicamente, algo com uma dimensão, lhe dá comprimento (eixo X), duas dimensões lhe dá área (plano XY), e por fim, três dimensões lhe dá volume ( plano XYZ).

Partindo da premissa : tudo que é sólido tem volume. Logo, está num plano XYZ . Se o corpo possui 3 dimensões, eu posso rotacioná-lo, em determinados planos, de tal forma que gerem superfícies, curvas. Sendo impossível rodar o 3D do cinema em um plano, vamos supor que a imagem em 3D seja o seu referencial de rotação. É uma idéia bem visual. Você vê o 3D na tela, e tenta girar em torno dele. Resultado: nada. Aquela imagem, “não existe”, não tem forma ou volume. Logo, ao pé-da-letra, não é algo tridimensional. Então, lembre-se, sempre que ver o nome 3D associado a filmes ou coisas do tipo, saiba que é algo fisicamente e matematicamente errado.

Desculpa Kojima, mas não é um “sólido real 3D”.

Efeito de profundidade

Nossos dois olhos enxergam imagens diferentes um do outro. Questão de referencial. É como colocar câmeras 2 cm uma da outra, no fim, a imagem de ambas vão ser “milimetricamente” diferente. Essa pequena diferença é suficiente para nos dar a sensação de profundidade e distância. A ciência do 3D, na verdade, é mais biológica do que Física. Nosso cérebro processa essas duas imagens e a transforma numa só. É como você tentar desenhar um círculo no papel, em seguida, desenhar novamente o mesmo círculo, haverá um “tracejado” mais forte e uma profundidade maior.

O 3D antigo era bem arcaico : óculos de cartolina com papéis que diferenciassem o azul do vermelho num filme feito nessas cores. Borrões e imagem ruim.

O 3D atual, ( principalmente os das TV’s 3D), resume num óculos de LCD ativo que diferencia em cada lente, uma imagem posta na tela, de outra, ligeiramente igual. Por isso TV’s 3D’s são especiais. Elas processam o mesmo filme “duas vezes”, é como se fosse um filme para cada olho, com todas as cores, diferente do papel celofane. Sendo o dobro de informação, precisa-se de muito mais espaço também. Logo, 3D em DVD, nunca ( sem falar na resolução…).

11D

Com essas simples idéias, podemos ter uma noção intuitiva de quão estranha “fisicamente”, é a conhecida Teoria das Cordas. Eu proponho um desafio para você : tente desenhar uma espaço de 4 dimensões. Conseguiu? Se sim, me mostra como, pois talvez você pode ser o primeiro Nobel de Física do Brasil! Quatro parece complicado? Imaginemos onze!

Isso é chamado de Hiper Espaço. Algo além da nossa compreensão vísivel. Matematicamente, faz sentido, é elegante, mas ainda assim, estranho. Desvendar essas coisas, é o trabalho dos físicos teóricos.

Físicos teóricos utilizam modelos matemáticos para explicar os fenômenos do Universo. A teoria das cordas tem como intuito relacionar a relatividade especial de Einstein, com a mecânica quântica. É a almejada, teoria do tudo. Uma simples e elegante equação, que possa explicar tudo. Tal como a equivalência de massa-energia, o famoso E=mc², de Albert Einstein (será dele mesmo?).

Ah, agora que lembrei, Nintendo 3DS. 3D sem óculos. No próximo post!

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Sobre Douglas Aleodin

Mestre em Física pela Universidade Federal da Bahia.
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3 respostas para Física do 3D ao 11D

  1. len disse:

    Gostaria de te indicar, Douglas, um certo livro (ainda não-publicado aqui no Brasil) de Rob Bryanton, no qual ele explica como podemos entender o Universo de poucas dimensões (como as que conhecemos hoje: 1ª dimensão, 2ª dim., 3ª dim., …) até a inacreditável 10ª dimensão. Bryanton é um designer canadense de filmes e abaixo, está o livro dele, comentado por um website cético brasileiro,

    http://www.ceticismoaberto.com/ciencia/845/imaginando-a-dcima-dimenso

    e um link do vídeo sobre o assunto no Youtube, feito por ele,

    http://greekvanpeixe.wordpress.com/2011/03/23/imaginando-a-decima-dimensao/

    Vlw, Douglas, e belo blog, mt sui generis … !!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!

    • Smo disse:

      Len

      O tal Rob Bryanton me parece uma fraude. Eis porquê:

      1) Ele considera que tudo acaba na 10ª dimensão, quando na verdade existem teorias que prevêem até 26 dimensões.

      2) As dimensões propostas pelo Sr. Bryanton não são dimensões de espaço conforme propostas pela teoria das cordas.

      3) Como sou leigo, de início achei que Rob era um cara sério. Talvez um real entendido de Fìsica. Mas depois, percebi que este compositor musical (isso mesmo) tinha uma visão esotérica das dimensões adicionais, chegando a sugerir que Deus estivesse na 7ª dimensão ou que Shamans poderiam ver estas dimensões.

      Merece desconfiança.

    • Len, muito obrigado pela dica. Em sala de aula, já ouvi falar sobre algumas explicações meramente geométricas sobre tal teoria, com certo olhar de desprezo e desconfiança pelo meus professores. Acho que de todo modo, a conferida não faz mal.

      Saudações.

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